“É um movimento que prevê uma reconexão àquilo que realmente faz sentido, uma vida com propósito, tempo de qualidade, com a finalidade de ajudar as pessoas, de encontrar razão e bem-estar. Esses negócios que têm o objetivo de atender as demandas desse novo modo de viver e consciência das pessoas caracterizam os empreendimentos slow”, explica. Segundo ele, o slow se fortaleceu na pandemia porque as pessoas tiveram que se adaptar a um novo contexto de vida e de interação social. Como agrônomo e gastrólogo, Rebelatto destaca que, no ramo da alimentação, o movimento valoriza os produtos locais, produzido por pequenos produtores, bem como o consumo de alimentos com mais sabor, livre de agrotóxicos ou orgânicos, oferecendo remuneração justa aos produtores. O slow food, como é chamado no ramo da alimentação, nasceu na Itália como um manifesto claro contra o fast food, universalizado por grandes marcas. O analista do Sebrae Nacional esclarece que os seguidores do slow food apreciam a comida a partir de um conjunto de fatores. “Esse consumidor prefere a qualidade em vez da quantidade. Dispensa o frenesi de consumo e possui consciência de consumo. Não quer dizer que ele queira uma vida sem controle, mas que valoriza o tempo de qualidade com as pessoas ao desfrutar de uma refeição com calma, em um ambiente agradável que permite despertar todos os sentidos, além do paladar”, argumenta. ORGÂNICOS A 16 km do centro de Brasília, a empreendedora Carla Burin comanda uma agroindústria em uma pequena propriedade rural onde são produzidos alimentos orgânicos voltados para a produção de congelados, como quibe vegetal, carne de jaca desfiada, coxinha de jaca, lombo de jaca desfiada, entre outras iguarias veganas. Seus produtos são servidos diariamente no bufê do restaurante vegano Faz Bem, localizado no centro da capital do país, na Asa Norte. O estabelecimento, que funciona há oito anos com uma proposta de popularizar o veganismo, também utiliza os produtos na preparação de pratos que compõe o cardápio variado, sempre explorando ingredientes mais naturais, em sua maioria produzidos localmente por pequenos produtores, para oferecer opções saudáveis de alimentação para os seus clientes. “Prezamos por uma culinária afetiva, simples, mas muito bem-feita. A maioria dos nossos fornecedores são produtores da região com os quais trabalhamos em parceria não apenas comercial. Construímos uma rede de apoio com nossos fornecedores e colaboradores, onde compartilhamos nossas crenças e valores e crescemos juntos”, frisa a gastróloga e uma das sócias-proprietárias do restaurante Faz Bem, Carolina Lino. Por semana, o restaurante consome 12 kg de carne de jaca desfiada da Fazenda Burin na preparação das receitas que compõem o bufê. “A Carla nos oferece um insumo beneficiado de alta qualidade e difícil de encontrar. Produzir a carne de jaca dá muito trabalho e receber isso pronto facilita muito nosso fluxo de trabalho no restaurante. Além disso, são entregues sempre no prazo, em grande escala e constância”, destaca Carolina. Com o reconhecimento, os produtos da Fazenda Burin já alcançam mercado fora do Distrito Federal. A cada 15 dias, grande parte da sua produção segue para São Paulo, onde estruturaram um ponto de distribuição para atender à demanda de varejistas e de restaurantes e chefs de cozinha que valorizam ingredientes orgânicos e mais saudáveis na culinária. “O food service está se mostrando um segmento com muito mais possibilidades e eu acredito que vai ultrapassar o varejo em pouco tempo. Hoje, os restaurantes querem ter uma opção vegana no cardápio e não querem ocupar a cozinha fazendo um prato. Então, a tendência é que comprem o produto já pronto para oferecer uma opção vegana, sem perder a qualidade”, conta Carla Burin. Conheci eles no estande compartilhado do Sebrae na Bio Brazil Fair, Biofach América Latina e Naturaltech 2022. A feira foi realizada na semana passada na capital paulista. “A entrada nesse mercado de alimentação orgânica e vegana também foi para evitar o desperdício da jaca e estamos contentes”, disse Carla ao QUE GOSTOSO!. “Usamos nossas jacas e também compramos de terceiros, igualmente certificados com o selo orgânico”, emendou ela. Com a marca Fazenda Burin, o casal criou uma linha com quatro produtos à base de “carne” de jaca: coxinha, feita com massa de mandioca e recheio temperado; lombo, produzido com o miolo do fruto verde cozido e temperado pronto para assar; desfiada, preparado com a fibra do fruto verde cozido e desfiado, não leva tempero; e bolinho de jacalhau, à base de mandioca, batata doce e jaca verde temperado com alga. Há ainda dois outros produtos, sem jaca: kibbeh vegetal, feito à base de batata doce, triguilho e tempero sírio; e pão de beijo, produzido com batata doce e polvilho. No estande provei uma coxinha de jaca frita na air fryer. Estava uma delícia: massa macia e “carne” de jaca bem temperada. Que gostooooooso!

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